Enquanto formávamos pequenos grupos humanos, tínhamos uma divisão de tarefa baseada, primordialmente, na força física. O masculino na caça, na construção de abrigos e na defesa e proteção. O feminino, por sua vez, na coleta de frutos e raízes, na fabricação de utensílios, na manipulação dos alimentos e na tecelagem.
O masculino, como caçador, precisava manter o silencio; seria necessário percorrer grandes distâncias e saber voltar ao abrigo e concentrar sua visão mais longe para localizar a presa. Talvez por isso o masculino seja tão calado, tenha mais facilidade de situar-se geograficamente e sua visão é tipo um "funil", ou mais focado na distancia.
O feminino, por sua vez, como coletora, não precisava fazer silêncio, não teria que percorrer grandes distancia, e desenvolveu uma maior visão periférica para vigiar os filhos e se alguns animal aproximava-se. Talvez por isso o feminino verbalize mais por que teve que interagir com o grupo, tenha dificuldade de situar-se geograficamente e tenha uma visão mais detalhista.
Assim o feminino, por ser mais observador, percebia quais frutos ou raízes podiam ser comidos, seguindo os exemplos dos pássaros e outros animais. Teria, também, observado o que acontecia quando uma semente caia na terra e que sementes maiores davam frutos maiores, por conseguinte, tenham ajudado o desenvolvimento da agricultura. O feminino por estar envolvido com os alimentos, foi a percussora do uso do fogo para cozer e assar, sua conservação e disso surgi a fabricação de cerâmica. Com certeza foram as primeiras a domesticar os pequenos animais que se aproximavam atraídos pelo alimento. Não duvido nada que, as primeiras impressões de ciclos tempo percorridos esteja ligada ao feminino, devido periodicidade menstruais. O sexo deveria ocorrer por prazer e a reprodução era uma consequência. Nosso feminino, assim como as fêmeas dos primatas - na atualidade - praticavam a poligamia e, como consequência, a criação dos filhos era comunitária e não sofriam a interferência do masculino, uma vez que não sabiam quem era filho de quem. Naquele momento não tínhamos conhecimento que para a reprodução acontecesse, seria necessária a participação do masculino, logo, não seria impossível de pensarmos que o feminino seria capaz que gerar vida sozinha.
Diante de todas essas evidências e quando o homem primitivo ainda não entendia os fenômenos naturais e na busca pela origem da vida, os deuses e deusas entraram nessa equação para resolve-la. Nesse caminhar nasce a divindade do feminino. O feminino por ter contribuído de várias formas para o desenvolvimento humanos, o feminino como fonte de vida foi ligada a terra, outra fonte de vida. O feminino além da divindade do dom da vida, arrematou a divindade do amor, da justiça, da caça, da sabedoria, eram nossas sacerdotisas e ... Enfim, eramos uma sociedade matriarcal e matrifocal.
Onde e quando isso mudou? Isso é um assunto para uma outra postagem.
Sérgio Carneiro.